
Este conto participou da Fesp .
Mulheres guerreiras
O bairro do Murganho, de ar viciado dos lixões, desapontava quem o visitasse.
De construções antigas depredadas, casas humildes de tábua e algumas em alvenaria.
Alguns terrenos obtiveram permissões de uso e outros foram invadidos.
Mesmo assim em épocas de eleições,
os futuros candidatos o visitavam, prometendo,espalhando esperanças nos corações singelos das pessoas.
Então ,Rosa, uma mulata robusta, resolveu dar uma chance para as moradoras desempregadas, pudessem ter um ganho temporário e convocou-as.
__ Vamos trabalhar para um candidato,disse-lhes.
Telefonou para um conhecido que era cabo eleitoral de um candidato portador de necessidades
especiais.
_Tião, eu tenho uma equipe disposta a trabalhar para o seu candidato.
Rosa era bem falante, convincente, de riso fácil e bastante simpática.
No domingo, Tião prometeu levar o candidato no Murganho para conhecer as pessoas.
Rosa grita da rua para a casa logo acima:
_ Gilda, Gildaaaaaaaaa__ atendida, diz_Domingo o candidato vem nos conhecer.
Mais adiante, repete o ritual: Dinha!, Dinhaaaaaaaaaaa e assim sucessivamente.
Domingo todos esperavam o candidato e nada. Tião, interpelado, dizia;
_ Domingo que vem ele aparece sem falta!.
E nada; vieram outros domingos e feriados e o candidato jamais apareceu.
As mulheres cobravam de Rosa que se desculpava: "Também pudera, o homem precisa ser carregado no colo e vai ver não conseguiram trazê-lo."
Rosa foi à luta, procurou um outro candidato_ que era um próspero comerciante, jovem bem nascido e marcaram para o domingo seguinte.
Rosa decidiu dividir as tarefas entre as mulheres da equipe, apelidou-as de " Mulheres Guerreiras".
Gilda contribuiria com o pó de café, Vanda com o pote de claybom, Dinha com o açúcar, Rose com os biscoitos e Rosa daria o bolo para o lanche.
A reunião seria no barraco de Rosa. Véspera de domingo, faxina geral.
Lavaram os copos vazios de geléia Colombo, Rosa dava ordens;
Deixem os copos de molho para sairem os rótulos.
Enfeitaram as jarras plásticas com flores de crepom. A única toalha branca estava "Bege" justamente por só ser usada em ocasiões especiais. Nada que um balde com água sanitária,sabão em pó e algumas metades de limões, não resolvesse o problema do encardido.
Finalmente chegou o dia tão aguardado. Eis que surge barraco a dentro,o candidato.
Rosa o apresentou e ele sorrindo apertou mão por mão daquelas mulheres guerreiras.
Foram feitos acordos e acertos para a candidatura do moço bonito decolar.
____Vamos ao lanche? _ convida Rosa.
A mesa muito bem arrumada, os copos brilhando, a toalha reluzente de tão clarinha. e bem no centro da mesa o bolo cheiroso, que Rosa preparara seguindo a receita de um livro recebido no dia anterior , de uma candidata de um partido adversário ao candidato de Rosa.
Guimarães, este era o nome do futuro vereador.
O moço candidato, parte uma fatia generosa do bolo e começa a degustá-la.
Ao mastigar, a porção esticava feito chicletes, não querendo desgrudar do garfo.
Com muito esforço , Guimarães conseguiu dar cabo do bolo dizendo: Está uma "Delícia".
Rosa ria por dentro, pois certamente esquecera de acrescentar algum ingrediente.
Pensou no entanto "Esses caras para se elegerem,comem até pedras."
Após o lanche, Guimarães se oferecera para lavar as louças, no que foi repelido educadamente por Rosa. Despediu-se o candidato, e ,foi-se embora.
Rosa distribuiu as tarefas no dia seguinte:
De tal rua até a outra, Gilda percorrerá, distribuindo santinhos. Dinha fará o itinerário oposto ao de Gilda. Vanda fará o bairro e as outras percorrerão as ruas adjacentes.
Antes de cada mulher partir para à luta, Rosa as recomendou:
_Não revidem agressões verbais e trabalhem sérias.
-Quero vocês impecáveis, sempre vestindo a camisa do candidato.
Para isso, Rosa providenciara duas camisas para cada uma.
Rosa dava incertas, surgia de repente onde menos a esperavam.
O mesmo fazendo Guimarães,sempre em carros diferentes.
Rosa foi à luta. Separava santinhos, dividia os brindes para cada mulher.Preparava recibos de cada semana paga.
Rosa percorreu a comunidade, anotava cada pedido,que iam de cestas básicas a tijolos.Receitas médicas à vaga em escolas.
Pela primeira vez, Rosa, encarava de frente a realidade brutal.
As pessoas necessitavam, de tantas coisas....E foi se sentindo impotente perante a realidade nua e crua.
Quando relatava ao candidato as necessidades das pessoas, ele respondia:
"Não posso resolver isso agora,só se for eleito."
Surgia uma Rosa diferente.
Agora de rosto fechado , de poucos risos e muito siso.
Recordava-se de uma frase esquecida na memória. "Política a arte de enganar ao povo".
E, pouco a pouco foi amadurecendo.
pediu ao Guimarães que a dispensasse e travou uma batalha moral consigo.
E desta batalha,surgiu "A FERA".
Escreveu várias sugestões ao governador,partindo do cotidiano da sua comunidade.
Usou a rádio comunitária local, quando a deixam entrar no ar, explica usando uma linguagem popular.
Para que a compreendam e reivindiquem. Contestou num jornal local a forma como foi conduzido em edital um concurso público,apontando falhas, citando o número da Lei e o artigo.
E aproveitando a própria sugestão,comprou um computador a longo prazo. escrevendo e comunicando-se com outras mulheres, para fazer adeptas à sua luta. Convocando as mulheres para serem Guerreiras.
Ah..... O Guimarães????????
Apesar de muito bem votado, não se elegeu.
Mulheres guerreiras
O bairro do Murganho, de ar viciado dos lixões, desapontava quem o visitasse.
De construções antigas depredadas, casas humildes de tábua e algumas em alvenaria.
Alguns terrenos obtiveram permissões de uso e outros foram invadidos.
Mesmo assim em épocas de eleições,
os futuros candidatos o visitavam, prometendo,espalhando esperanças nos corações singelos das pessoas.
Então ,Rosa, uma mulata robusta, resolveu dar uma chance para as moradoras desempregadas, pudessem ter um ganho temporário e convocou-as.
__ Vamos trabalhar para um candidato,disse-lhes.
Telefonou para um conhecido que era cabo eleitoral de um candidato portador de necessidades
especiais.
_Tião, eu tenho uma equipe disposta a trabalhar para o seu candidato.
Rosa era bem falante, convincente, de riso fácil e bastante simpática.
No domingo, Tião prometeu levar o candidato no Murganho para conhecer as pessoas.
Rosa grita da rua para a casa logo acima:
_ Gilda, Gildaaaaaaaaa__ atendida, diz_Domingo o candidato vem nos conhecer.
Mais adiante, repete o ritual: Dinha!, Dinhaaaaaaaaaaa e assim sucessivamente.
Domingo todos esperavam o candidato e nada. Tião, interpelado, dizia;
_ Domingo que vem ele aparece sem falta!.
E nada; vieram outros domingos e feriados e o candidato jamais apareceu.
As mulheres cobravam de Rosa que se desculpava: "Também pudera, o homem precisa ser carregado no colo e vai ver não conseguiram trazê-lo."
Rosa foi à luta, procurou um outro candidato_ que era um próspero comerciante, jovem bem nascido e marcaram para o domingo seguinte.
Rosa decidiu dividir as tarefas entre as mulheres da equipe, apelidou-as de " Mulheres Guerreiras".
Gilda contribuiria com o pó de café, Vanda com o pote de claybom, Dinha com o açúcar, Rose com os biscoitos e Rosa daria o bolo para o lanche.
A reunião seria no barraco de Rosa. Véspera de domingo, faxina geral.
Lavaram os copos vazios de geléia Colombo, Rosa dava ordens;
Deixem os copos de molho para sairem os rótulos.
Enfeitaram as jarras plásticas com flores de crepom. A única toalha branca estava "Bege" justamente por só ser usada em ocasiões especiais. Nada que um balde com água sanitária,sabão em pó e algumas metades de limões, não resolvesse o problema do encardido.
Finalmente chegou o dia tão aguardado. Eis que surge barraco a dentro,o candidato.
Rosa o apresentou e ele sorrindo apertou mão por mão daquelas mulheres guerreiras.
Foram feitos acordos e acertos para a candidatura do moço bonito decolar.
____Vamos ao lanche? _ convida Rosa.
A mesa muito bem arrumada, os copos brilhando, a toalha reluzente de tão clarinha. e bem no centro da mesa o bolo cheiroso, que Rosa preparara seguindo a receita de um livro recebido no dia anterior , de uma candidata de um partido adversário ao candidato de Rosa.
Guimarães, este era o nome do futuro vereador.
O moço candidato, parte uma fatia generosa do bolo e começa a degustá-la.
Ao mastigar, a porção esticava feito chicletes, não querendo desgrudar do garfo.
Com muito esforço , Guimarães conseguiu dar cabo do bolo dizendo: Está uma "Delícia".
Rosa ria por dentro, pois certamente esquecera de acrescentar algum ingrediente.
Pensou no entanto "Esses caras para se elegerem,comem até pedras."
Após o lanche, Guimarães se oferecera para lavar as louças, no que foi repelido educadamente por Rosa. Despediu-se o candidato, e ,foi-se embora.
Rosa distribuiu as tarefas no dia seguinte:
De tal rua até a outra, Gilda percorrerá, distribuindo santinhos. Dinha fará o itinerário oposto ao de Gilda. Vanda fará o bairro e as outras percorrerão as ruas adjacentes.
Antes de cada mulher partir para à luta, Rosa as recomendou:
_Não revidem agressões verbais e trabalhem sérias.
-Quero vocês impecáveis, sempre vestindo a camisa do candidato.
Para isso, Rosa providenciara duas camisas para cada uma.
Rosa dava incertas, surgia de repente onde menos a esperavam.
O mesmo fazendo Guimarães,sempre em carros diferentes.
Rosa foi à luta. Separava santinhos, dividia os brindes para cada mulher.Preparava recibos de cada semana paga.
Rosa percorreu a comunidade, anotava cada pedido,que iam de cestas básicas a tijolos.Receitas médicas à vaga em escolas.
Pela primeira vez, Rosa, encarava de frente a realidade brutal.
As pessoas necessitavam, de tantas coisas....E foi se sentindo impotente perante a realidade nua e crua.
Quando relatava ao candidato as necessidades das pessoas, ele respondia:
"Não posso resolver isso agora,só se for eleito."
Surgia uma Rosa diferente.
Agora de rosto fechado , de poucos risos e muito siso.
Recordava-se de uma frase esquecida na memória. "Política a arte de enganar ao povo".
E, pouco a pouco foi amadurecendo.
pediu ao Guimarães que a dispensasse e travou uma batalha moral consigo.
E desta batalha,surgiu "A FERA".
Escreveu várias sugestões ao governador,partindo do cotidiano da sua comunidade.
Usou a rádio comunitária local, quando a deixam entrar no ar, explica usando uma linguagem popular.
Para que a compreendam e reivindiquem. Contestou num jornal local a forma como foi conduzido em edital um concurso público,apontando falhas, citando o número da Lei e o artigo.
E aproveitando a própria sugestão,comprou um computador a longo prazo. escrevendo e comunicando-se com outras mulheres, para fazer adeptas à sua luta. Convocando as mulheres para serem Guerreiras.
Ah..... O Guimarães????????
Apesar de muito bem votado, não se elegeu.

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